quarta-feira, 4 de abril de 2018

Tratamento (Segundo mês)






Voltando a falar de tratamento, o que posso dizer é que passei por um momento MUITO bom após a aceitação do problema e o início dos cuidados, seguido por outro MUITO ruim quando tudo ficou mais intenso e eu já não sabia mais o que fazer.
Foram seções e seções de terapia, consultas com psiquiatra e dermatologista e um controle diário para não fazer mais feridas e cuidar das existentes pois quanto mais feridas existentes, mais feridas são feitas. E tudo isso em busca de uma pele mais bonita. Que contraditório!!!!!
Passei por um momento muito estressante logo no primeiro mês do tratamento e aquilo me desenquilibrou demais.
Depois disso os dias foram cada vez mais difíceis, ficar sozinha era impossível e cada vez que me machucava eu chorava mais, queria sumir, me esconder e ficou cada vez mais claro para todos que convivem comigo que eu tinha um problema sério e precisava ser tratado.
Como eu ficava muitas horas do dia sozinha em casa eu "aproveitava" esse tempo e mexia demais no meu rosto, chegava a ficar cansada, chegava a ficar assustada com as horas perdidas do meu dia e caía em profunda depressão após ter feito tudo aquilo.
A vontade de me isolar só aumentava mas graças a Deus tenho um marido muito companheiro e que por diversas vezes parou tudo o que estava fazendo para me ajudar e me dar forças mesmo não sendo o homem mais sensível do mundo e não compreendendo muito bem o que eu estava passando.
Com o tempo vi que não adiantava me enxer de remédios se eu não tinha uma consciência muito boa de tudo o que estava acontecendo.
Então passei a buscar a calma e tentar ter paciência para lidar com esse problema, mesmo sendo a coisa mais difícil a ser feita para quem sofre com Skin Picking.
A minha terapeuta também mudou, adorava a minha antiga, tinha muita facilidade em me abrir com ela mas infelizmente uma fatalidade afastou ela das atividades de trabalho e precisei recomeçar com outra. Ela também era boa mas não me identifiquei da mesma forma, e além disso precisei parar com o tratamento pois surgiram outras contas inesperadas e não puder manter o pagamento mensal com psicóloga.
Agora meu tratamento está entre a pele, psiquiatra e ajuda espiritual (falei sobre isso no último post).
Substituí um pouco a pomada que estava usando por apenas lavar a pele com sabonete próprio para o rosto (o mesmo que falei no primeiro post sobre tratamento) e deixar meu rosto limpo e livre para respirar pois achei que o excesso de pomada estava me prejudicando na cicatrização e aparentemente deu certo. Essas coisas não tem jeito, é preciso paciência e esperar todas as fases da ferida se completar para que haja a cicatrização. E para meu desespero, não mexer é a melhor saída, apenas espere e deixe a ferida cicatrizar. Ufa, que difícil, pois a ansiedade é o início de tudo isso né?!
Além disso mantive o tratamento com Luvox ( mesmo antidepressivo do último post) e pude sentir uma autoconfiança maior nas últimas semanas quando completou um mês que estava tomando o medicamento (não sei ao certo se está ligado ao medicamento mas de forma nenhuma irei parar agora).
Pretendo voltar à dermatologista assim que as feridas existentes cicatrizem para iniciar um tratamento para as manchas e marcas. Aí terei também uma nova consulta com psiquiatra para avaliar minha melhora.
Por enquanto ainda está bem difícil não fazer novas feridas no rosto mas como tenho sido mais consciente e está diminuindo cada vez mais a frequência com que mexo e os machucados existentes.
Como eu disse, não espere essa melhora da noite para o dia, não foi da noite para o dia que você desenvolveu esse problema e não será da noite para o dia que irá se livrar dele completamente.
Antes de ser uma patologia, é um hábito e isso é algo muito difícil de modificar.
Então pense em modificar a sua rotina e todos os seus hábitos também, essa é a melhor maneira de fugir das horas que você teria disponível para se machucar.
Uma coisa que decidi e que tem sido muito bom pra mim foi modificar meu turno de trabalho para o mesmo do meu marido, assim tenho a cia dele em casa e as vezes no trabalho também já que trabalhamos no mesmo local.
Mas isso não me impede de mexer no rosto já que vou ao banheiro sozinha e sempre tem um momento em que estou apenas eu, e é preciso ser forte e saber lidar com isso.
Quando acabo mexendo em alguma ferida ou causando uma nova, apenas respiro fundo e tento entender que isso vai passar e se eu precisei fazer isso hoje, amanhã não precisarei mais.
O que me ajuda muito é ser bastante franca com quem está muito próximo de mim ( no caso meu marido) assim não sinto o peso todo sozinha, dividir com ele sempre me ajuda muito.
A terapia era uma saída muito importante para mim também, mas como precisei parar, escrever aqui tem me ajudado muito pois é uma forma de desabafar e me auto ajudar.
Resumidamente o segundo mês de tratamento foi um pouco frustrante pois esperei chegar aqui e dizer que me livrei de todas as feridas, que as marcas já estavam sumindo e que estava me sentindo bem mais feliz, porém não foi bem assim.
A luta continua, tive uma piora considerável no início do segundo mês de tratamento que pode ou não estar ligada ao estresse que passei mas de qualquer forma serviu para que eu aprendesse a ter mais paciência para lidar com tudo isso e não esperar que um mês irá resolver aquilo que eu já sofro a muito tempo.

Volto logo mais para dizer como tudo está acontecendo.
Esperança sempre.

NÃO DESISTA VOCÊ É DONO DE SI E MUITO MAIS FORTE DO QUE IMAGINA!!!!!




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