terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Tratamento (Primeiro mês)




O tratamento para Dermatillomania é bem longo pois a doença é altamente resistente a ele.
Isso porque grande parte do tratamento depende de você, de suas atitudes e seus hábitos.
Na verdade tirar esse hábito de se "cutucar" em situações e momentos de estresse e/ou tédio é muito difícil. 
A medicação vai te ajudar a controlar a ansiedade, a terapia vai fazer você se conhecer e entender o porque dessa atitude mas sem essa consciência é impossível tentar se controlar e mudar seu comportamento.
O principal é entender que isso não é normal, em seguida entender que não vai desaparecer da noite para o dia, acreditar que você é mais forte que tudo e ter muita, muuuuuita paciência.
O tratamento precisa ser feito em conjunto. São três proficionais indispensáveis:
O dermatologista (para ajudar com as lesões da pele), o psiquiatra (para a medicação necessária contra ansiedade e depressão) e o psicólogo ( para te ajudar a se conhecer e entender a razão desse comportamento autodestrutivo).
Não descarte nenhum desses profissionais do seu tratamento, não tenha medo de dizer quando tiver uma recaída ou quando não tem sentido diferença no seu dia-a-dia.
Lembre-se que isso não vai passar da noite para o dia.
Faço terapia toda semana, continuo com a vídeo terapia pois me identifiquei muito com a psicóloga. No início falar sobre o problema era torturante, hoje já consigo me abrir com a psicóloga e graças a isso, consigo falar do assunto sem maiores dificuldades (prova disso é esse blog que criei).
Iniciei meu tratamento com antidepressivo a 25 dias e até hoje não senti muita diferença além da diminuição do mal estar que ficar sozinha me dava. Hoje só sinto isso se estiver de fato "me cutucando" ( o que costuma me deixar muito agitada).
Nesses 25 dias tomei 20 dias de "PONDERA" porém esse remédio tinha uns efeitos colaterais no meu organismo que não foram muito aceitos e então a médica trocou para "LUVOX" que estou tomando a 4 dias e até agora não senti nenhum efeito e nenhuma diferença também (na bula diz que leva cerca de duas semanas para o paciente começar a sentir a diferença).
Na pele já usei todas as pomadas que você pode imaginar mas nenhuma funcionou tão bem como a  " Valerato de Betametasona + Clioquinol + Sulfato de Gentamicina + Tolnaftato + Clioquinol". 
Essa pomada foi minha mãe quem me deu depois de eu ter usado diversas substâncias e nenhuma me ajudar com a cicatrização das feridas, pois todas deixavam minha pele ainda mais sensível. Essa pomada precisa de receita para ser comprada mas ainda não precisei comprar já que foi minha mãe quem levou pra mim. Ela é ótima e sem dúvida é a melhor pomada que já usei para meus ferimentos no rosto.
Uma outra pomada muito boa para feridas é a "Cicaplast", essa foi a minha dermatologista quem receitou, ela é da La Roche e você pode comprar sem receita nas farmácias. Apesar de ser boa não é tão boa como a que falei acima, mas também contribui bastante com a cicatrização dos ferimentos.
A dermatologista me passou um sabonete específico para pele com acne, a fim de controlar a oleosidade e evitar que apareçam mais, reduzindo assim as chances de lesionar a pele. O primeiro sabonete que ela me receitou foi o da marca "Puriance" mas logo depois tive uma piora no quadro da Dermatillomania e ela me indicou um da La Roche (muito bom por sinal).
Os demais produtos que ela me passou eu precisei suspender o uso por conta própria e ainda não retornei no consultório.
Isso porque são produtos para renovação da pele e nesse momento não posso permitir que minha pele fique ainda mais sensível do que ela já é, pois em momentos de crise posso machucar meu rosto com ainda mais facilidade.
Então o que tenho feito é lavar o rosto duas vezes ao dia com o sabonete próprio para minha pele, não utilizar maquiagem em nenhum dia para que a pele possa "respirar" e mais ou menos 3 vezes ao dia passo a pomada cicatrizante apenas nos ferimentos.
Infelizmente apaguei as fotos da minha pior crise e ainda não estou pronta para divulgar.
Mas pretendo ir tirando fotos e fazendo um antes e depois em breve para ir acompanhando a melhora.
A medida que o tratamento for evoluindo vou trazendo mais informações para vocês mas por enquanto o que mais está me motivando é o pensamento positivo de que tudo irá dar certo!!!!!

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Descobrindo o problema





Descobrir a doença não é nada fácil, você se sente sozinho, se sente de outro mundo pois parece que ninguém mais passa pela mesma coisa e por fim se sente incapaz de fazer alguma coisa para mudar a situação.
Tem vergonha de admitir que tem um problema psicológico e muito medo da reação das pessoas.
Mas chega um momento que se torna insuportável conviver com isso, e então você dá início ao tratamento.
O que posso dizer sobre o início do tratamento contra Dermatillomania é que nos sentimos muito bem.
Sim, isso mesmo, nos sentimos bem.
Isso porque finalmente nos rendemos e chegamos a conclusão que temos um problema e é preciso tratar. Isso alivia muito.
Geralmente nessa fase você também já conseguiu desabafar e assumir isso para pessoas próximas e com o tempo a vergonha passa, ainda que durante algumas recaídas você se sinta mal, nada será como antes quando você precisava encarar tudo sozinho.
Quando comecei o tratamento a primeira coisa que fiz foi uma consulta com Psicóloga, uma terapia online feita por chamada de vídeo porque claro, eu teria muita vergonha de ir até um consultório e começar a falar sobre isso na época.
A primeira consulta foi torturante, chorava muito, não sabia porque mas sabia que estava mal, que precisava de ajuda e me sentia impotente por não poder fazer absolutamente nada a respeito.
O próximo passo foi procurar minha dermatologista, assumir o problema e ver o que ela tinha para me indicar. Seja uma pomada ou algum tratamento na pele.
Quando cheguei no consultório, não precisei dizer muito pois ela mesma já havia anotado na minha ficha o problema que tinha e me aconselhou procurar um psiquiatra para iniciar um tratamento. Nossa, na hora meu mundo caiu. Pensei logo que era o fim, que não podia mais lutar contra e que o que eu mais temia estava acontecendo, o problema era eu, minha mente e uma doença psicológica.
Saí do consultório pensando em como dizer isso às pessoas, como iria encarar esse problema pois até então tentava me convencer de que o problema era na minha pele e não na minha mente.
Logo em seguida comecei aos poucos a me abrir com algumas pessoas, não falava tudo o que estava passando mas conseguia admitir aos pouquinhos que estava com um problema psicológico e por isso "apareciam" machucados no meu rosto e eu me sentia mal.
A primeira pessoa com quem conversei foi o meu marido, mas confesso não ter sido bem clara com ele sobre o problema. Ele me consolou a princípio dizendo que eu precisava me controlar e ser menos ansiosa.
Pensei em deixar o tempo passar, cuidar da minha pele e ter calma que tudo iria se resolver.
Mas na semana seguinte foi quando tudo piorou, tive uma crise terrível e meu rosto ficou completamente machucado. Corri chorando para meu marido e implorei por ajuda, falei que estava doente e precisava que ele ficasse do meu lado.
Esse foi o clique para não só ele mas eu mesma entender a seriedade do caso. Na mesma hora ele me fez parar de tentar esconder os machucados com maquiagem, parar de passar pomadas, ácidos, peeling, qualquer tentativa que eu tinha de fazer com que minha pele melhorasse (tudo isso só deixava minha pele mais sensível e fazia com que as feridas demorassem mais e mais para cicatrizar). Ele me fez deixar o rosto "respirar" e me pediu que se eu não conseguia fazer isso por mim, era para eu fazer por ele. Aquilo acabou comigo, e foi um incentivo para eu começar a tentar ser forte.
Nesse mesmo dia consegui me abrir com minha irmã e ela me ajudou contando para minha família sobre o problema que eu estava passando. Assim ela pode ficar comigo uns dias para não ficar sozinha já que meu marido trabalhava a noite e eu ficava muitas horas sozinha ( horas em que eu causava muitos danos na minha pele, sofria e chorava demais).
Minha mãe me deu uma pomada que comecei a usar sem muita esperança mas acredite, a pomada é muito boa (irei listar todos os produtos que eu uso no post sobre o tratamento), a melhor que já usei e olha que nessas crises da vida eu já testei todo tipo de medicamento que você pode imaginar. A pomada não é milagrosa, mas chega bem perto! Ela melhora a aparência da ferida muito rápido. Em uma semana a ferida já está curada, ou se for muito funda e você mexeu mais nela, um pouco mais de uma semana e pronto, ferida fechada. Antes dela eu ficava mais de 15 dias com a ferida no rosto.
Depois disso fui ao psiquiatra e pedi a minha mãe que me acompanhasse pois tinha um pouco de receio em ir sozinha.
A médica me passou um medicamento antidepressivo para ansiedade pois ela é o grande pivor da compulsão por mexer na pele.
Assumindo o problema para família, o próximo passo foi conversar com alguns amigos e com o tempo não via mais problema algum em falar a respeito do assunto.
Hoje posso falar abertamente sobre o caso que não me incomodo mais.
Claro, sinto um pouco de vergonha quando é uma pessoa que não tenho muito contato, sinto vergonha também nas recaídas quando todos já haviam observado uma melhora e logo depois apareço com o rosto todo machucado de novo.
Mas já consigo levar o assunto com mais levesa, com mais tranquilidade e com muita esperança de que vai passar.
Me olhar no espelho ainda não é uma tarefa fácil pois tenho que lidar com as marcas e algumas feridas, mas eu sei que estou só no começo e vai passar.
Nem sempre sou forte, mas essa também é uma fase.
Não podemos pensar que a melhora será em uma semana ou um mês, é preciso entender que esse é um processo longo e depende de muitos fatores para que se atinja um nível satisfatório.
Você pode estar indo super bem mas aí acontece alguma situação desagradável e pronto, desencadeia em uma crise.Qualquer situação que te deixe mais agitada, algum momento de descuido do tratamento e etc, pode te levar a ter uma recaída e TUDO BEM, não se culpe por isso.
A crise pode vir sem mais nem menos, e você precisa aprender a lidar com isso até melhorar por completo.
O principal passo é se amar e entender que você merece muito mais do que imagina. 
Vou relatando como está sendo o tratamento aqui para que possamos acompanhar e nos esforçar cada vez mais a cada dia.






quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Afinal, o que é Dermatillomania?



Fiz um estudo aprofundado sobre o assunto e como de costume precisei fazer uma busca intensa para encontrar algum conteúdo. 
Não é fácil encontrar disponível na internet, definições e explicações claras a respeito da Dermatillomania, e por isso resolvi detalhar tudo aqui.
Vou utilizar não só de minhas pesquisas para ilustrar o que de fato é esse pesadelo chamado "Dermatillomania", mas também minhas experiências com a doença, porque sim, eu sofro desse mal a algum tempo, acabei de ser diagnosticada e iniciar o tratamento.
Esse blog tem como objetivo servir de ajuda para pessoas que assim como eu, está passando por esse problema terrível que apenas quem vive ou está muito próximo consegue entender. As vezes ainda que você esteja próximo de alguém que sofra dessa compulsão, pode não ser capaz de entender completamente, mas tudo bem, o importante é que você esteja ao lado dessa pessoa pois seu apoio nessa hora faz toda a diferença.
Como definição para Dermatillomania encontrei:
"É um transtorno obsessivo compulsivo caracterizado pela vontade de causar ou, geralmente, agravar lesões da própria pele."
Ou ainda:
"Quando cutucar a pele se torna uma patologia. A dermatilomania, também chamada de skin picking, é uma doença psicológica que faz as pessoas acometidas por ela não controlar a vontade de causar ou agravar lesões da própria pele."
Agora irei definir a doença de acordo com tudo o que sinto, passo e já passei por conta dela.
Mas antes de qualquer coisa é muito importante falar que essa não é uma doença que você consegue conviver e simplesmente espera melhorar ou passar, se você está desconfiado ou já tem certeza que sofre desse mal, PROCURE AJUDA.
 Se você ainda estiver na fase da "vergonha", quando tenta com todas as forças esconder o que sente e está passando, tente procurar por uma ajuda anônima, me envie um e-mail, procure por grupos na internet, qualquer coisa. Você precisa de ajuda e sozinho será cada vez mais difícil.
Quando você reconhece que isso é um problema e dá o primeiro passo em busca de solução, tudo parece ficar mais fácil.
Quando você simplesmente não precisa mais se esconder pois já assumiu que está sob um tratamento psicológico e que vai passar com o tempo, é libertador.
Mas até que você atinja esse nível é muito difícil. Dá um desespero muito grande, medo de julgamentos, medo de você mesmo. 
Mas estou aqui para falar que você não está sozinho, e que se eu consegui passar por tudo isso, você também irá.
Voltando à definição da doença, quando você faz essas buscas na internet e encontra tais resultados, parece algo impossível, parece algo consciente e fácil de ser controlado. Mas o que está por trás disso tudo é o que apenas quem convive sabe:
NÃO É FÁCIL.
Você se destrói, você se machuca e depois sente vergonha do que fez, vergonha de você mesmo mas naquele momento não tinha controle, você precisava fazer aquilo porque estava sofrendo, estava ansioso, estava triste, não podia conviver com nenhuma imperfeição na sua pele ou simplesmente não consegue dizer o que te levou a fazer aquilo.
O que muitos não sabem é que a Dermatillomania caminha lado a lado com a Depressão.
A Depressão pode causar a Dermatillomania ou vice e versa.
Não é apenas um machucado causado na sua pele, não é apenas esperar e ter paciência para que ele melhore.
É uma dor muito profunda, é medo dos seus momentos sozinhos pois você sabe que irá se machucar e depois sente medo porque está machucado, se sente triste, quer se isolar, chora, não consegue desabafar com ninguém pois tem muito medo do que irão dizer, sente VERGONHA, quer que o tempo passe logo para que sua pele melhore e fica ansioso com isso, aí com tanta ansiedade acaba se machucando mais e o ciclo recomeça.
Se estiver passando por uma situação de estresse então, as chances de crises são de quase 100%, a menos que não tenha nenhum espelho por perto ou alguém amarre suas mãos.
Por quanto tempo você se pega olhando para o espelho, procurando por imperfeições para que você possa tirar ou tirando casquinhas e mexendo mais em machucados que você mesmo causou?
No dia seguinte encarar o mundo se torna uma tarefa muito difícil, ver as pessoas te julgando, olhando e perguntando o que está acontecendo, é simplesmente torturante.
O pior de tudo é ouvir de quem você espera apoio a seguinte frase: 
Você tem que parar de fazer isso, se controla.
A vontade que sentimos é de gritar como resposta:
NÃO CONSIGO E EU ME ODEIO POR ISSO.
E aí o problema fica cada vez mais sério, e vai tomando conta dos seus dias e dos seus pensamentos. Se torna parte da sua rotina.
A única parte boa disso tudo é que TEM TRATAMENTO.
Você não precisa achar que irá passar por isso pelo resto da sua vida, que todos os seus dias serão assim  e não, não é a Dermatillomania a coisa mais importante da sua vida.
Aqui eu irei detalhar também todo o tratamento pelo qual estou passando, qual a minha rotina com a pele e como reagi aos medicamentos, terapia e dicas para combater a compulsão.
No meu caso, a área afetada é meu rosto. Convivo com acne desde minha adolescência e acredito que  a Dermatillomania se deu por conta do grande incômodo que a acne sempre me causou e a "mania" antiga que sempre tive de espremer espinhas e cravos para ver se meu rosto melhorava.
Hoje minha pele não possui tanta acne, mas eu procuro, vou naquele cravo imperceptível mas que para mim é algo enorme e que precisa sair. As vezes acho que crio certas imperfeições, só para mexer e ver se realmente não há "nada ali". 
Aos poucos o "mau hábito" da adolescência se tornou uma compulsão para mim e estou descobrindo com minha psicóloga quais as razões para se tornar uma doença psicológica e que me causou tantos momentos traumáticos e desesperadores.
Por conta disso tomo muito cuidado com o rosto, e acredite, menos é mais nesse caso. Sempre amei maquiagem porque ela simplesmente escondia todas as manchas e machucados que eu fazia mas com o início do tratamento descobri finalmente que quanto menos produtos você utilizar melhor sua pele irá responder e mais rápido aquela ferida irá cicatrizar. Mantenha sua pele o mais limpa possível, ainda que esteja machucada, NÃO CUBRE COM MAQUIAGEM, passe no máximo uma pomada cicatrizante e confie que ela irá curar. Não se preocupe quando alguém reparar, lembre-se que o mais importante nesse momento é você melhorar e quanto menos feridas na pele, menores são as chances de você se machucar mais. É assim que funciona!
Por hoje o que eu posso te dizer é que você merece tudo de bom, tudo de melhor, você merece ser feliz.
Parece algo simples mas nos esquecemos quando estamos passando pelos momentos de crise.
Você não precisa se punir ou se sentir para baixo, não precisa achar que nunca irá passar porque VAI PASSAR.
Você não está sozinho, você só precisa dar o primeiro passo para se sentir DE BEM COM O ESPELHO de uma vez por todas.  
Meu e-mail: debemcomoespelho@outlook.com 
Ou deixe seu comentário que farei o possível para te ajudar!!!

Bem Vindo

Olá, que bom ver você aqui!!!
Significa que está dando um grande passo para se amar e se cuidar mais, e isso é ótimo!
Decidi fazer esse blog para ajudar pessoas que assim como eu, passaram ou estão passando por um momento muito difícil de aceitação e baixa autoestima.
Falaremos em especial sobre caso da dermatillomania, que afeta tantas pessoas e ainda é pouco conhecido nos dias de hoje.
Talvez porque quem passa por esse problema geralmente tem muita vergonha de assumir, e acaba se escondendo em seus traumas e aflições.
Isso gera pouquíssimo conteúdo disponível para estudos e pesquisas na internet.
Mas para quebrar esse gelo e ajudar todas essas pessoas decidi fazer desse espaço um lugar para falar abertamente sobre o problema e mostrar a importância do tratamento, contar um pouco da minha história, dicas de especialistas no assunto e claro fazer com que você se ame cada dia mais independente das dificuldades do dia-a-dia ou dos problemas que vem enfrentando.
O importante é se olhar no espelho e se sentir bem.
O importante é estar de bem com o espelho e com você mesmo.