segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Descobrindo o problema





Descobrir a doença não é nada fácil, você se sente sozinho, se sente de outro mundo pois parece que ninguém mais passa pela mesma coisa e por fim se sente incapaz de fazer alguma coisa para mudar a situação.
Tem vergonha de admitir que tem um problema psicológico e muito medo da reação das pessoas.
Mas chega um momento que se torna insuportável conviver com isso, e então você dá início ao tratamento.
O que posso dizer sobre o início do tratamento contra Dermatillomania é que nos sentimos muito bem.
Sim, isso mesmo, nos sentimos bem.
Isso porque finalmente nos rendemos e chegamos a conclusão que temos um problema e é preciso tratar. Isso alivia muito.
Geralmente nessa fase você também já conseguiu desabafar e assumir isso para pessoas próximas e com o tempo a vergonha passa, ainda que durante algumas recaídas você se sinta mal, nada será como antes quando você precisava encarar tudo sozinho.
Quando comecei o tratamento a primeira coisa que fiz foi uma consulta com Psicóloga, uma terapia online feita por chamada de vídeo porque claro, eu teria muita vergonha de ir até um consultório e começar a falar sobre isso na época.
A primeira consulta foi torturante, chorava muito, não sabia porque mas sabia que estava mal, que precisava de ajuda e me sentia impotente por não poder fazer absolutamente nada a respeito.
O próximo passo foi procurar minha dermatologista, assumir o problema e ver o que ela tinha para me indicar. Seja uma pomada ou algum tratamento na pele.
Quando cheguei no consultório, não precisei dizer muito pois ela mesma já havia anotado na minha ficha o problema que tinha e me aconselhou procurar um psiquiatra para iniciar um tratamento. Nossa, na hora meu mundo caiu. Pensei logo que era o fim, que não podia mais lutar contra e que o que eu mais temia estava acontecendo, o problema era eu, minha mente e uma doença psicológica.
Saí do consultório pensando em como dizer isso às pessoas, como iria encarar esse problema pois até então tentava me convencer de que o problema era na minha pele e não na minha mente.
Logo em seguida comecei aos poucos a me abrir com algumas pessoas, não falava tudo o que estava passando mas conseguia admitir aos pouquinhos que estava com um problema psicológico e por isso "apareciam" machucados no meu rosto e eu me sentia mal.
A primeira pessoa com quem conversei foi o meu marido, mas confesso não ter sido bem clara com ele sobre o problema. Ele me consolou a princípio dizendo que eu precisava me controlar e ser menos ansiosa.
Pensei em deixar o tempo passar, cuidar da minha pele e ter calma que tudo iria se resolver.
Mas na semana seguinte foi quando tudo piorou, tive uma crise terrível e meu rosto ficou completamente machucado. Corri chorando para meu marido e implorei por ajuda, falei que estava doente e precisava que ele ficasse do meu lado.
Esse foi o clique para não só ele mas eu mesma entender a seriedade do caso. Na mesma hora ele me fez parar de tentar esconder os machucados com maquiagem, parar de passar pomadas, ácidos, peeling, qualquer tentativa que eu tinha de fazer com que minha pele melhorasse (tudo isso só deixava minha pele mais sensível e fazia com que as feridas demorassem mais e mais para cicatrizar). Ele me fez deixar o rosto "respirar" e me pediu que se eu não conseguia fazer isso por mim, era para eu fazer por ele. Aquilo acabou comigo, e foi um incentivo para eu começar a tentar ser forte.
Nesse mesmo dia consegui me abrir com minha irmã e ela me ajudou contando para minha família sobre o problema que eu estava passando. Assim ela pode ficar comigo uns dias para não ficar sozinha já que meu marido trabalhava a noite e eu ficava muitas horas sozinha ( horas em que eu causava muitos danos na minha pele, sofria e chorava demais).
Minha mãe me deu uma pomada que comecei a usar sem muita esperança mas acredite, a pomada é muito boa (irei listar todos os produtos que eu uso no post sobre o tratamento), a melhor que já usei e olha que nessas crises da vida eu já testei todo tipo de medicamento que você pode imaginar. A pomada não é milagrosa, mas chega bem perto! Ela melhora a aparência da ferida muito rápido. Em uma semana a ferida já está curada, ou se for muito funda e você mexeu mais nela, um pouco mais de uma semana e pronto, ferida fechada. Antes dela eu ficava mais de 15 dias com a ferida no rosto.
Depois disso fui ao psiquiatra e pedi a minha mãe que me acompanhasse pois tinha um pouco de receio em ir sozinha.
A médica me passou um medicamento antidepressivo para ansiedade pois ela é o grande pivor da compulsão por mexer na pele.
Assumindo o problema para família, o próximo passo foi conversar com alguns amigos e com o tempo não via mais problema algum em falar a respeito do assunto.
Hoje posso falar abertamente sobre o caso que não me incomodo mais.
Claro, sinto um pouco de vergonha quando é uma pessoa que não tenho muito contato, sinto vergonha também nas recaídas quando todos já haviam observado uma melhora e logo depois apareço com o rosto todo machucado de novo.
Mas já consigo levar o assunto com mais levesa, com mais tranquilidade e com muita esperança de que vai passar.
Me olhar no espelho ainda não é uma tarefa fácil pois tenho que lidar com as marcas e algumas feridas, mas eu sei que estou só no começo e vai passar.
Nem sempre sou forte, mas essa também é uma fase.
Não podemos pensar que a melhora será em uma semana ou um mês, é preciso entender que esse é um processo longo e depende de muitos fatores para que se atinja um nível satisfatório.
Você pode estar indo super bem mas aí acontece alguma situação desagradável e pronto, desencadeia em uma crise.Qualquer situação que te deixe mais agitada, algum momento de descuido do tratamento e etc, pode te levar a ter uma recaída e TUDO BEM, não se culpe por isso.
A crise pode vir sem mais nem menos, e você precisa aprender a lidar com isso até melhorar por completo.
O principal passo é se amar e entender que você merece muito mais do que imagina. 
Vou relatando como está sendo o tratamento aqui para que possamos acompanhar e nos esforçar cada vez mais a cada dia.






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